Entre conversas e escuta, projeto fortalece participação política de indígenas no norte do estado
Iniciativa da 9ª ZE reuniu comunidade Apinajé, estudantes e instituições para falar de cidadania de forma acessível

A cidadania foi tema de conversa nas aldeias São José e Mariazinha, em Tocantinópolis, no norte do estado. Entre os dias 6 e 10 de abril, a comunidade Apinajé participou de ação do projeto “Vozes: Cidadania Intercultural e Fortalecimento Político da Comunidade Apinajé”, realizado pela 9ª Zona Eleitoral, em parceria com a em parceria com a Universidade Federal do Norte do Tocantins (UFNT), o Instituto Federal do Tocantins (IFTO), a Universidade Federal do Tocantins (UFT), por meio do Programa de Pós-Graduação em Prestação Jurisdicional e Direitos Humanos (PPGPJDH), a Escola Judiciária Eleitoral (EJE) e o Ministério Público Eleitoral.
A ideia foi aproximar a Justiça Eleitoral do Tocantins da realidade indígena, respeitando a cultura e a forma de comunicação da comunidade. E, ao mesmo tempo, mostrar que temas que parecem difíceis podem, sim, ser entendidos quando são explicados de forma clara e próxima da realidade.


Escuta e diálogo
Mais do que falar, o momento foi de ouvir. As atividades aconteceram em rodas de conversa, reunindo lideranças, moradores, professores, mediadores e estudantes em um mesmo espaço. Todas e todos puderam compartilhar dúvidas, experiências e opiniões sobre política e participação.
Nesse diálogo, surgiram questões importantes. A vontade de participar mais da política apareceu com força, junto com dúvidas sobre como se candidatar e dificuldades enfrentadas no dia a dia, como distância, transporte e acesso à informação.
Para a chefe do cartório da 9ª ZE e idealizadora do projeto, Olga Barroso de Sousa, o principal resultado foi justamente a construção desse diálogo. “A proposta sempre foi criar um espaço de escuta, onde a comunidade pudesse falar, tirar dúvidas e se reconhecer dentro do processo eleitoral. Quando a gente aproxima a informação da realidade das pessoas, tudo passa a fazer mais sentido. A ideia é que esta experiência dê subsídios para uma ação futura, mais eficiente e eficaz para a integração desses nossos irmãos”, destacou.
Informação de forma simples
Assuntos como eleições, prestação de contas e o papel das lideranças foram apresentados de um jeito direto, com exemplos práticos e linguagem acessível. O apoio da tradução para a língua Apinajé fez diferença, ajudando a deixar tudo ainda mais claro.
O formato mais próximo, com diálogo e tradução, ajudou a tornar o conteúdo mais acessível. A presença de estudantes também contribuiu para o trabalho. Eles participaram das atividades, ajudaram nas conversas e no registro das demandas, fortalecendo a parceria entre Justiça Eleitoral, universidades e comunidade.
Próximos passos
A experiência agora ajuda a pensar nos próximos passos. As informações levantadas durante os encontros vão servir de base para novas ações voltadas às comunidades indígenas, com foco em ampliar o acesso à informação e fortalecer a cidadania, inclusive por meio do Programa de Inclusão Sociopolítica dos Povos Indígenas do Tribunal Regional Eleitoral do Tocantins (TRE-TO).
Objetivos Estratégicos
1 - Aprimorar mecanismos de atendimento ao cidadão
2 - Aprimorar mecanismos de transparência pública
3 - Fomentar a educação política da sociedade
Texto: Guilherme Paganotto (Ascom/TRE-TO)
#ParaTodosVerem: Sentados em círculo, em um espaço aberto da aldeia, moradores e lideranças Apinajé participam de uma roda de conversa que valoriza a escuta e o diálogo. No centro da atividade, a troca de experiências acontece de forma simples e direta, com todos tendo a oportunidade de falar e ouvir. A disposição das cadeiras, sem hierarquia, reforça o ambiente de participação coletiva, enquanto representantes das instituições parceiras conduzem o debate de maneira acessível, aproximando temas da Justiça Eleitoral da realidade da comunidade.



